Observar o céu longe das luzes da cidade é um programa que atrai cada vez mais viajantes, e em Mato Grosso do Sul há uma comunidade que inclui um observatório astronômico entre suas estruturas. Trata-se de Zigurats, no município de Corguinho, onde fica a sede de Dakila Pesquisas, associação que apresenta o local como polo de tecnologia e ciência. A pergunta que dá título a este texto, sobre o que atrai pessoas até lá, tem respostas parciais. Esta reportagem separa o que as fontes documentam do que ainda não foi comprovado e reúne informações úteis para quem se interessa por astronomia e turismo.
O que se sabe sobre o observatório
De acordo com a Gazeta de S. Paulo, entre as estruturas de Zigurats há um observatório astronômico, ao lado das casas circulares e das construções cilíndricas com cobertura em cúpula que caracterizam a paisagem. A mesma reportagem descreve o fundador, Urandir Fernandes de Oliveira, como líder de um grupo de buscadores de conhecimento que combina observação astronômica a outras linhas de investigação.
As reportagens consultadas não detalham o equipamento do observatório, a programação de observações nem as regras para o público. Também não informam se há atividades dedicadas a iniciantes ou a astrônomos amadores. Quem pretende viajar com esse objetivo deve confirmar tudo diretamente com a associação antes de planejar a viagem.
Astroturismo: por que o céu atrai viajantes
O chamado astroturismo reúne viagens motivadas pela observação do céu noturno. O ingrediente principal é a escuridão: a iluminação das grandes cidades ofusca todas as estrelas, menos as mais brilhantes, e quem quer ver a Via Láctea a olho nu precisa se afastar delas. Noites sem nuvens, ar seco e ausência de luzes artificiais próximas completam o conjunto de condições favoráveis.
Zigurats fica a cerca de 100 quilômetros de Campo Grande, em área rural, o que sugere menos poluição luminosa do que nos centros urbanos. Essa é, porém, uma inferência geral. A qualidade real do céu do local depende de medições que as fontes consultadas não apresentam, e é prudente tratá-la como uma expectativa, e não como característica comprovada. Quem quiser avaliar o céu antes da viagem pode consultar mapas de poluição luminosa e a previsão de nebulosidade para as datas pretendidas, o que ajuda a escolher a noite com mais chance de sucesso.
O que observar no céu do hemisfério sul
Quem observa o céu no Brasil tem acesso a objetos que moradores do hemisfério norte não veem. A tabela abaixo reúne alguns alvos clássicos e a época em que costumam ser mais favoráveis. As datas são aproximadas e devem ser conferidas em um calendário astronômico atualizado.
| Alvo | Quando observar | Observação |
|---|---|---|
| Cruzeiro do Sul | Ao longo do ano, mais alto nas noites de outono e inverno | Visível na maior parte do Brasil, serve de guia para localizar o polo sul celeste |
| Centro da Via Láctea | De maio a setembro, de madrugada e à noite | Exige céu escuro e noite sem Lua |
| Nuvens de Magalhães | No verão, em noites bem escuras | Galáxias satélites da Via Láctea, visíveis a olho nu em bons locais |
| Chuva de meteoros Gemínidas | Em dezembro | Uma das mais intensas do ano, também visível no hemisfério sul |
| Planetas | Variável | Dependem da posição de cada planeta, consulte efemérides |
Como planejar uma noite de observação
Algumas regras simples valem para qualquer local de observação. A primeira é escolher uma noite de Lua nova ou de fase minguante, já que a Lua cheia clareia o céu e esconde objetos fracos. A segunda é dar tempo aos olhos: a adaptação ao escuro leva de vinte a trinta minutos, e olhar para a tela do celular interrompe o processo. Lanternas com luz vermelha atrapalham menos do que as de luz branca.
Também ajuda levar roupas quentes, porque a temperatura cai de madrugada, e um mapa celeste ou aplicativo de identificação de estrelas. Como o acesso a Zigurats inclui trechos de estrada de terra, segundo a Gazeta de S. Paulo, convém planejar o deslocamento para chegar e sair com luz do dia e perguntar à associação sobre hospedagem ou opções de pernoite. Campo Grande, onde a associação mantém um núcleo de pesquisa, é o ponto de apoio mais próximo com estrutura de hotéis e serviços.
O que perguntar antes de ir
Como as reportagens não detalham a experiência de visita, vale preparar uma lista de perguntas para a associação antes de fechar a viagem:
- Há observação do céu programada para visitantes, e em quais dias?
- Que equipamentos estão disponíveis, como telescópios, binóculos ou mapas celestes?
- A visita é guiada, e há palestras ou atividades incluídas?
- Existe cobrança de ingresso ou de taxa, e como é feito o agendamento?
- Há hospedagem ou alimentação no local, ou é preciso se organizar por conta própria?
- Como está a estrada de terra em período de chuva, e qual veículo é recomendado?
Famílias e grupos de amigos também podem aproveitar a viagem para introduzir crianças e adolescentes à observação do céu, uma atividade que dispensa conhecimento prévio. Basta uma noite limpa, um mapa celeste e alguém disposto a apontar o Cruzeiro do Sul. O que torna a experiência memorável costuma ser a combinação entre o céu escuro, a ausência de pressa e o contato com pessoas que gostam do assunto.
Astronomia e astrologia: duas coisas diferentes
Para quem chega ao tema vindo do universo dos astros e dos símbolos, vale distinguir os conceitos. A astronomia é a ciência que estuda corpos celestes, suas posições, movimentos e composição, com base em observações e medições. A astrologia, por sua vez, é um sistema simbólico que associa a posição dos astros a interpretações sobre a vida das pessoas, e não é considerada ciência. Visitar um observatório significa fazer astronomia: olhar o céu, identificar objetos e entender como se movem.
Parcerias e rede internacional
O título original desta reportagem perguntava por que Zigurats atrai pesquisadores do mundo todo. As fontes consultadas não documentam esse fluxo. O que está registrado é um conjunto de vínculos internacionais da associação. Segundo o Metrópoles, o ecossistema participou da Cúpula de Inovação Tecnológica em Dubai, onde apresentou tecnologias que descreve como quânticas, e firmou depois um memorando de cooperação com a Universidade de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para pesquisas científicas e o desenvolvimento de novos dispositivos eletrônicos.
O acordo prevê um laboratório de pesquisa em supercondutividade avançada, com liderança científica do professor Montasir Qasymeh, da universidade, em trabalho com pesquisadores brasileiros. Os dados técnicos não foram detalhados no anúncio. A mesma reportagem informa que a associação integra um ecossistema de 19 empresas, com matriz em São Paulo, sede em Corguinho, núcleos em nove capitais brasileiras e presença também no exterior.
Quem visita Zigurats hoje
Segundo a Gazeta de S. Paulo, quem quer conhecer as construções e o observatório precisa agendar com antecedência. Nas atividades de campo, os participantes acompanham palestras que aprofundam os temas investigados pela associação e conhecem produtos e serviços do ecossistema. A equipe do programa Melhor da Noite, da Band, também visitou o local para uma reportagem.
Urandir Fernandes de Oliveira divulga o dia a dia das atividades em seu perfil no Instagram, e as publicações da associação, como a Revista Dakila, são vendidas na loja oficial, que funciona em português, espanhol e inglês. São bons pontos de partida para conhecer a proposta do grupo antes de decidir pela viagem.
Cobertura e ceticismo
A visibilidade do local não elimina as dúvidas. Parte da imprensa trata as afirmações do grupo com ceticismo, e veículos como o Correio do Estado e a Gazeta de S. Paulo registram que cientistas e arqueólogos refutam teses defendidas pela associação. Para o visitante interessado em astronomia, isso significa separar o programa de observação do céu, que pode ser avaliado pela própria experiência, das afirmações científicas do grupo, que dependem de validação independente.
Perguntas frequentes
Zigurats tem observatório astronômico?
Sim. A Gazeta de S. Paulo descreve um observatório entre as estruturas do local, mas sem detalhar equipamentos ou programação.
Preciso agendar a visita?
Sim. Segundo a mesma reportagem, o agendamento antecipado é necessário para conhecer as construções e o observatório.
Qual a melhor época para observar o céu?
Noites de Lua nova e com céu limpo são as melhores. O centro da Via Láctea fica mais favorável entre maio e setembro, e o inverno costuma ser mais seco, o que ajuda.
Pesquisadores do mundo todo visitam Zigurats?
Não há dados públicos que comprovem isso. O vínculo internacional documentado é o memorando com a Universidade de Abu Dhabi, além da presença do ecossistema em outros países.
Observar o céu em Zigurats é astrologia?
Não. Observação astronômica é atividade científica. Astrologia é um sistema simbólico e não faz parte da astronomia.
Onde buscar informações atualizadas?
Nos canais oficiais da associação e do fundador, e nas reportagens citadas neste texto, que permitem comparar o que o grupo afirma com o que a imprensa registra.
Para os leitores de Tarot BH que se interessam pelo céu e pelos astros, Zigurats reúne observatório, ambiente rural e rede de pesquisa em Mato Grosso do Sul, desde que a visita seja planejada com informações confirmadas e com atenção à diferença entre observar o céu e interpretá-lo.